Old
Poster,
é o título do novo CD de Clara Ghimel. É mais uma homenagem ao
blues internacional, com todos os acordes, temas e composições melódicas
característicos do gênero. O disco acaba de ser lançado pelo selo
Mulambo Records, de São Paulo, e coloca a cantora mais uma vez em
destaque como uma das poucas e boas cantoras de blues no Brasil.
Clara, aliás, e, principalmente, confirma boa divisão rítmica,
quem sabe por sua baianidade e boa extensão vocal, ambos, inclusive,
são requisitos para uma cantora de blues que se preze.
São
11 músicas selecionadas por ela e Alexandre Fontanetti, produtor
musical do disco. Destas, três são composições da própria
cantora, feitas em inglês mesmo, outra peculiaridade do trabalho já
que é quase inexistente a presença de compositoras brasileiras
neste universo.
O
CD traz ainda uma versão Norwegian
wood, de John Lennon e Paul McCartney, e God
bless the child, que ficou famosa na voz de Billie Holiday, que
também não teve medo de regravar em versão mais pop
“I don´t wanna talk
about it” , de Danny Whitten com direito a mandolim
e violões do
guitarrista Edu Gomes que junto a Alexandre costura as cordas no
disco.
O
novo trabalho apresenta ainda três músicas em português. São
elas: “O Crivo”
de Valdir Serrão, “Troca –Toca”
de Rita Lee ainda mutante e "Deixa
sangrar",
de Caetano Veloso.
Se
sua principal dificuldade está em formar um repertório unicamente
brasileiro -- pois os temas cantados pelos compositores de blues
nacionais ainda são muito restritos ao universo masculino -- ela
conseguiu com competência trazer canções tipicamente brasileiras
para bem perto do universo musical do blues sem descaracterizá-lo.
Clara revela que o nosso baião tem muito de blues.
“É
um disco” bluesy “,
em que a base é o blues mesmo, típico onde acrescentamos com
naturalidade outros elementos”, explicando que, em muitos
arranjos, as gaitas foram substituídas pelo acordeão, que se
juntaram a acompanhamento percussivo e de pífanos em algumas canções.
As
gravações -- que contaram com o charme e o som característicos
dos microfones originais dos anos 50, fase áurea do blues
norte-americano, e com arranjos tocados com um violão Martin de
1910 -- poderíamos dizer que são alegres para um disco de blues e,
talvez nisso, sem perceber, Clara aproxima-se da música brasileira.
Vanderlei
Carvalho
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